POLENIZANDO

  ECOFEMINISMO: DANDO ESPAÇO AO YIN

O vocábulo ecofeminismo surgiu pela mão de Françoise d’Euabonne com o propósito de estabelecer relações entre os movimentos feministas e a ecologia.

Na perspectiva ecofeminista a degradação ambiental, a destruição maciça dos recursos naturais, os problemas sociais e económicos e o excesso de população, entre outros; são problemas causados por uma actuação predominantemente patriarcal que além de procurar dominar o mundo natural tem, também, a pretensão dominar e subjugar a Mulher. Assim, a luta pela libertação da Mulher e a luta pela libertação da Natureza são duas faces da mesma moeda. São a luta pelo restabelecer do equilíbrio entre o feminino e o masculino, entre o yin e o yang se quisermos utilizar a terminologia taoista.

Na realidade, não podemos negar que - sem qualquer reivindicação de exclusividade - a sociedade ocidental, baseada no patriarcado de inspiração judaico-cristã, tem relegado a mulher para um segundo plano no que respeita aos seus direitos e à sua intervenção social. Também não podemos negar que o paradigma antropocêntrico que assume pretensões de domínio do mundo natural surge na mesma sociedade e que os dois domínios têm características comuns.

Alguns activistas dos movimentos ecofeministas reclamam a superioridade dos valores femininos e afirmam que as mulheres, devido à sua capacidade de gerar vida, se encontram mais próximas do mundo natural. Alguns destes activistas vão mais longe estabelecendo pontes entre a violência masculina a que frequentemente é sujeito o corpo das mulheres e a as agressões ambientais a que tem sido sujeita o corpo de Gaia. Independentemente da nossa posição mais ou menos crítica a algumas facções destes movimentos, é indubitável o domínio patriarcal que vigora nas sociedades actuais. Se observarmos as sociedades escandinavas, onde as Mulheres assumem papéis de destaque, apercebemo-nos que as preocupações ecológicas estão mais presentes e que as agressões ao ambiente são em menor número. Isto poderá surgir alguma relação entre a protecção ecológica e os regimes mais equilibrados no que respeita ao yin yang.
Num país em que os cargos políticos estão sujeitos a quotas para dar lugar às mulheres, urge restabelecer a harmonia dos opostos. Dar espaço ao yin, nesta sociedade patriarcal, para que os equilíbrios se estabeleçam e os géneros, as espécies e os ecossistemas se harmonizem.

“Todo o ser traz sobre si a obscuridade
e aperta nos braços a claridade:
o sopro indistinto constitui a sua harmonia.”
Lao Tse – Tao Te King


*Orlando Figueiredo fez Licenciatura em Engenharia Química e Pós-graduação em Engenharia da Qualidade

Fonte: http://ecoliteracia.blogspot.com/2006/05/ecofeminismo-dando-espao-ao-yin_07.html






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